Influência do uso da terra nas comunidades de macroinvertebrados bentônicos em rios de cabeceira da Bacia do Rio Jaguari, Brasil
Resumo
Os córregos e suas muitas nascentes são locais importantes para a formação dos rios e geralmente também são hotspots de biodiversidade aquática na bacia hidrográfica. As atividades humanas impactam a saúde desses ambientes, muitas vezes com a retirada da vegetação ciliar e também a entrada de sedimentos no leito do curso d’água, além da carga de poluentes como agrotóxicos. Este estudo teve como objetivo avaliar a comunidade macrobentônica em três riachos de cabeceira, ao longo de nove meses, monitorando a qualidade da água e a composição da comunidade com diferentes usos do solo. As concentrações das variáveis de qualidade da água, condutividade elétrica e sólidos suspensos totais, foram mais elevados no trecho fluvial em Extrema (EX), o que pode estar associado ao manejo da pastagem. No córrego em Toledo (TO), a temperatura da água e o fosfato foram mais elevados, provavelmente devido à retirada de mata ciliar e fertilizantes utilizados no cultivo de hortaliças, respectivamente. Quanto à comunidade bentônica, as métricas Dominância (D), % EPT, EPT/Chironomidae e o índice de diversidade de Shannon–Wiener (H') mostraram claramente um gradiente de saúde ambiental existente nos riachos estudados, sendo o de Monte Verde (MV) o mais preservado, seguido pelos córregos de Extrema (EX) e Toledo (TO). Esses dados evidenciam o impacto deletério de práticas agrícolas insustentáveis. Concluímos que tais atividades agrícolas influenciaram negativamente a qualidade ambiental e a comunidade de macroinvertebrados bentônicos nesses córregos de cabeceira.
Palavras-chave: biomonitoramento, EPT, mata ciliar, rio Camanducaia.
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